sábado, 3 de dezembro de 2011

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

quarta-feira, 30 de março de 2011

Resenha em forma de carta:


Lila, gostaria de escrever o que senti na leitura do seu livro. O livro acontece dentro de uma materialidade da memória, é como se nele a memória se convertesse em uma força intermediária, a de um sentimento de empatia tão poderoso que é capaz de nos transportar para a realidade da fala. A sua fala ali é a fala de uma narradora que se dilui sem nenhum distanciamento, é uma fala-câmara, e o tempo (os tempos) do livro são tempos de um documentário.


Me lembrei de alguns globos repórteres memoráveis que assisti nos anos 70, quando o Eduardo Coutinho trabalhava na Globo. Em você, no seu modo de narrar, também senti um modo de deixar o sentimento pensar para focar o outro que fala, que está falando, e assim o livro vai se encadeando como uma dança, entre o documental e o ensaístico, com ênfase no documental em alguns momentos e o ensaístico servindo mais como indicador de um modo de ver e de um tipo de interação que não se distancia.


A parte dos sonhos foi a que mais me emocionou (porque você sabe, nossa amizade na borda do amor e não da paixão apenas, começou com o sonho e é nele que certamente está o centro dela, com espaço entre o sentimento e os atos), pois o respeito profundo que você tem pelo sonho como fonte de conhecimento e a reverência que você consegue transmitir ao leitor, reverência por (como você diz) uma escuta que foi tão profunda, que ecoou (a palavra não é bem essa, mas não encontrei outra) ecoou dentro do seu mais íntimo, ecoou na fonte, onde a alteridade se dissolve e a comunicação atinge sua mais alta sensorialidade (também não sei se a palavra é essa).


As evocações-citações ( uma coisa que me é cara) estão lá, Ponty, Winnicott, Weil, mas elas são ( senti isso) também parte do seu mais íntimo. Digamos do seu mais íntimo-exterior-pensante, enquanto que aquela realidade, você a deixou penetrar tão fundo que chegou ao ponto delas se converterem em imagens de sonho. Entendi o titulo do livro, após a leitura, não como se a fronteira fosse uma demarcação, que separa mundos e situações, mas como se ela fosse o princípio, o ponto de partida que sempre temos de atravessar se quisermos realmente encontrar o Outro. As Casais aparecem ali como metáforas desse ponto, para mim.


E seu livro atinge, na minha leitura, o estado de matéria para uma, etnopoética do outro, pois você, enquanto uma narradora, sem o distanciamento de um pesquisador, por dentro, mas com a atenção dos pesquisadores, por fora, alcança uma atenção amalgamada com o sentimento e a vontade de estar ali e escutar. Gostei muito do livro. Foi necessário que eu ficasse sozinho com ele em uma zona neutra que não meu quarto em Cubatão e nem “a sua presença que reluz muito forte para mim”, para que conseguisse fazer uma leitura mais concentrada, como a que faço quando vejo um filme. É isso. Tentarei te ligar agora...já são meia noite e pouco...


Um beijo


Marcelo Ariel



publicado em
http://teatrofantasma.blogspot.com/2011/03/resenha-em-forma-de-carta.html

domingo, 13 de março de 2011

lançamento, apareçam!








CONVIDAM PARA O LANÇAMENTO DO LIVRO


NA FRONTEIRA

DAS RELAÇÕES DE CUIDADO EM SAÚDE INDÍGENA

DE LUCILA DE JESUS MELLO GONÇALVES


Oficina Infantil "Nhanhevanga Nhanemba'e py" (Brincadeiras Guarani-Mbya), no Auditório (piso térreo), das 16h às 17h, conduzida por Jera, indígena Guarani da aldeia Tenonde Porã.


Dia 02 de abril de 2011, sábado, das 15h às 18h.

Piso Superior

Rua Fradique Coutinho, nº 915 - Vila Madalena - São Paulo - SP.

(Estacionamento na Rua Fradique Coutinho, nº. 983)

(11) 3814.5811


 "Temos aqui um trabalho fecundo em que Lucila Gonçalves nos apresenta a abordagem da voz do índio de uma maneira inovadora, especialmente para a Psicologia e para as Ciências Sociais em geral. Lucila Gonçalves persegue um rigor derivado da constituição do lugar da fronteira, entre-vozes, entre-visões, entre a comunicação silenciosa e o dizível, dando lugar à voz do índio, mas, antes, ao sonho do índio, como ícone da experiência do lugar da fronteira. Esse texto nos ensina que qualquer proposta em Saúde Indígena que não leve a sério o sonho do índio – ou melhor, a abertura ontológica para que aconteça o lugar de fronteira, que permite o sonho, uma comunicação genuína – estará destinada à proliferação da doença. " ( Walter Moure)

terça-feira, 1 de março de 2011

be poetry


A origem dos poemas





Marcelo Ariel


Um livro raro e delicado escrito por uma menina de sete anos, este Poemas divertidos de Flora Santos ( Editora Nossa, 2009). Escapa da conceituação de "livro infantil" que no fundo é limitadora, como toda conceituação. É como se o Livro das perguntas de Neruda estivesse latente dentro desse jardim "fechado" para os adultos. Lendo ou melhor passeando dentro do livro é fácil sentir que as perguntas que as crianças fazem são na verdade uma abertura para o poema possível que a extrema (des) organização da vida cotidiana sempre adia ou contorna. O livro de Flora Santos é um indicador do lugar originário do poema, o poema está onde sempre esteve à espera de uma escuta e este livro é a materialização dessa escuta. Janus Korczac, o pedagogo polônes, morto nos campos de concentração, autor de Quando eu voltar a ser criança e Rei Mateuzinho Primeiro, defendia que a pedagogia em essência fosse o lugar da escuta e do diálogo, Korczac certamente festejaria iniciativas como a da mãe da Flora, que selecionou os textos da filha e editou o livro por conta própria é um exemplo que deveria ser seguido, esse de tornar o exercício de uma escuta, o reconhecimento do lugar originário dos poemas.

POEMAS DIVERTIDOS de Flora Santos
Editora Nossa, pedidos pelo e-mail: lucilajmg@gmail.com



publicado em
http://revistapausa.blogspot.com/2010/03/origem-dos-poemas.html#links

domingo, 13 de fevereiro de 2011

comentário generoso, que foi acolhido


por Marcelo Ariel

Na foto: Lila de Jesus


Blog da poeta, psicanalista, dançarina e pesquisadora Lila de Jesus , psicanalista afinada com as idéias do também psicanalista e poeta Donald Winnicott . Lila de Jesus consegue alcançar um equilíbrio intenso entre poemas que ligam o espanto com a beleza do mundo e o ponto e a linha de um silêncio que se interioriza, impossível separar aqui as imagens do mundo e a narrativa da vida, só havia encontrado esse tipo de abordagem antes em Anne Sexton, Hildegard Von Bingen e nos diários de Anna Akhmatóva, mas Lila abre mão das imagens míticas em nome de códigos de linguagem capazes de ofuscar os limites entre exterior e interior, Lila em alguns poemas se utiliza de uma coloquialidade que ocupa o lugar das imagens míticas, coloquialidade que se converte ela mesma, em linha de força do poema, o equilibrio entre as fotos e os poemas anuncia a existência de um profundo e misteriosíssimo diálogo entre o silencioso lugar do mundo e o lugar do corpo, diálogo esse capaz de pacificar e ao mesmo tempo borrar as fronteiras entre a linha que parece separar o fora e o dentro e a linguagem escrita/falada, esse ponto oscilante da expressão, essa pequena estrela que o sol do silêncio alimenta.

Nota: Lila é pesquisadora junto aos povos indígenas e lançará em breve um livro sobre o tema pela Fapesp/Annablume. Para melhor entender o que estou dizendo, recomendo a leitura dos poemas/posts: Liso, Zelo, hilética, sobrecarga e Eu também tomo conta do mundo e Espaço e lugar e das fotos da série planos I,II,III,IV e V.

publicado em http://revistapausa.blogspot.com/2010/12/10-blogs-que-deveriam-virar-livro.html